terça-feira, 16 de outubro de 2012

Planeta com quatro sóis é descoberto por astrônomos nos EUA

Astrônomos da Universidade Yale, nos EUA, e cientistas amadores do projeto Planet Hunters (Caçadores de Planetas) identificaram o primeiro sistema planetário com quatro sóis, a cerca de 5 mil anos-luz da Terra.
A descoberta foi feita em uma revisão de dados do telescópio Kepler, da agência espacial americana (Nasa). Até hoje, apenas seis planetas são conhecidos por orbitar dois sóis, mas nenhum deles são circundados por um sistema binário distante, como nesse caso. Lançado em março de 2009, o Kepler tem como objetivo pesquisar exoplanetas – planetas fora do Sistema Solar – semelhantes à Terra que giram em volta de estrelas.O planeta PH1, um provável gigante gasoso pouco maior que Netuno e seis vezes maior que a Terra, orbita duas estrelas que, por sua vez, são orbitadas por outro par de astros distantes. O fenômeno é chamado de "planeta circumbinário em um sistema de quatro estrelas".

Planeta com quatro estrelas (Foto: Haven Giguere/Yale University)
 

A concepção artística acima mostra em primeiro plano o planeta PH1, descoberto pelos voluntários Kian Jek e Robert Gagliano, do Planet Hunters – criado em 2010 para estimular cientistas amadores a identificarem exoplanetas.
Em seguida, astrônomos profissionais dos EUA e da Grã-Bretanha fizeram observações e medições com os telescópios Keck, localizados no monte Mauna Kea, no Havaí.
O PH1 dá uma volta completa ao redor das duas estrelas a cada 137 dias. A Terra, por exemplo, conclui um giro em torno do Sol a cada 365 dias – ou um ano. Um dos astros tem massa 1,5 vez a do Sol e o outro, 0,41.
Já as outras duas estrelas mais afastadas ficam, em relação ao PH1, a uma distância de cerca de 900 vezes o espaço entre a Terra e o Sol.
Os resultados do trabalho foram apresentados nesta segunda-feira (15) na reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronômica Americana, na cidade de Reno, Nevada, no oeste dos EUA. Os pesquisadores também enviaram o estudo para avaliação da revista especializada "Astrophysical Journal".

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tecnologia cria "nanoflor" capaz de armazenar energia solar

Dispositivo à base de sulfeto de germânio pode ser a próxima geração de células solares. Foto: North Carolina State University/Linyou Cao/Divulgação

Cientistas da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, criaram "flores" de sulfeto de germânio (GeS), um material semicondutor, cuja tecnologia pode gerar a próxima geração de células solares e dispositivos de captação e armazenamento de energia.
Para produzir as "nanoflores", os cientistas aquecem pó de GeS até que ele comece a vaporizar. A partir deste vapor, vão sendo formadas camadas de 20 a 30 nanômetros de espessura, com até 100 micrômetros de comprimento. Como o processo gera várias camadas, a aparência final lembra a flor de um cravo.
O GeS, material no qual a "nanoflor" é confeccionada, é semelhante ao grafite, mas sua estrutura atômica que faz com que ele tenha mais potencial para absorver energia solar e convertê-la em energia utilizável. Isso torna o GeS atraente para uso em células solares, além de ser um elemento relativamente barato e não tóxico - as células solares regulares geralmente usa materiais caros e bastante tóxicos.
Além disso, as nanoflores tem "pétalas" de espessura extremamente fina, mas com um grande área de superfície. De acordo com o professor Linyou Cao, coautor de um artigo sobre a pesquisa, é justamente a boa área de superfície em uma pequena quantidade de espaço que pode vir a melhorar a capacidade de baterias e dar mais potencial a supercapacitores através desta tecnologia.

Embrapa estuda clonar animal brasileiro ameaçado de extinção


Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estudam clonar animais silvestres da fauna brasileira, em uma iniciativa inédita no Brasil, segundo eles. A previsão é que o primeiro clone, ainda sem prazo para ser feito, seja de uma espécie ameaçada de extinção, de acordo com o pesquisador Carlos Frederico Martins, da Embrapa Cerrados.
A primeira fase da pesquisa de clonagem foi a formação de um banco de germoplasma (com células de animais, para conservar seu material genético), que inclui espécies em risco, como o mico-leão-preto, e outras fora de perigo. A ideia inicial era trabalhar com mamíferos silvestres do Cerrado, diz Martins. O projeto, no entanto, foi ampliado e passou a incluir animais de outros biomas, como a Mata Atlântica. Agora o projeto entra na segunda etapa, que é estudar técnicas para fazer clones, afirma o pesquisador.

Ully, uma lobo-guará fêmea do Zoológico de Brasília que pode fornecer óvulos para clonagem no futuro (Foto: Divulgação/Fundação Jardim Zoológico de Brasília)

Estabelecido em parceria com o Jardim Zoológico de Brasília, o projeto da Embrapa já tem 420 amostras de células de oito espécies diferentes no banco de germoplasma, ressalta Martins. "Temos, no banco, de dois a três animais de cada espécie", afirma. Entre os bichos estão lobos-guará, onças-pintadas e cachorros-do-mato, todos considerados vulneráveis na lista das espécies ameaçadas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. A coleta de material genético para o banco de germoplasma vai continuar na nova etapa do estudo, aponta o cientista.Uma das técnicas cogitadas é semelhante à usada para fazer a ovelha Dolly, aponta Martins. Dolly foi o primeiro mamífero clonado a partir de células adultas. O procedimento consiste em transferir o material genético de uma célula adulta do animal para um óvulo da mesma espécie. Nesse processo, o núcleo original do óvulo é retirado. O óvulo é "reprogramado" e passa a agir como célula embrionária, com potencial para dar origem a um novo indivíduo, explica o cientista.

Pescadores buscam oceano sustentável na COP11


Nenhum tipo de área protegida tem efeito tão positivo sobre a recuperação da biodiversidade como as reservas e os parques marinhos. A experiência mostra que os estoques de peixes, moluscos e crustáceos respondem rapidamente à proteção, ainda que os corais se recuperem mais lentamente. Mesmo assim, os ecossistemas marinhos estão entre os menos protegidos na maioria dos países signatários da Convenção de Diversidade Biológica (CDB).
Acabar com esta incoerência é o objetivo de diversos grupos sociais, organizações conservacionistas, órgãos governamentais e organismos internacionais presentes na 11ª Conferência das Partes, em Hyderabad, na Índia. Eles se reúnem em torno da Iniciativa Oceano Sustentável (ou SOI, sigla de Sustainable Ocean Initiative), que promove diversos encontros e eventos paralelos durante a COP11, como a reunião ocorrida ontem, 10/10.
O convencimento das comunidades pesqueiras não é simples. Depende tanto do empenho dos atores nacionais, como das alternativas de renda para substituir o pescado em recuperação, como também da divulgação de experiências bem sucedidas. Assim, vale citar o caso do Equador, que desde 2010 conta com recursos da ordem de US$ 4 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mais US$ 13 milhões da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e uma contrapartida nacional de US$ 4,3 milhões para implementar suas áreas marinhas protegidas.A SOI conta com recursos do Fundo de Biodiversidade do Japão, país muito dependente da pesca para abastecimento interno, e da Agência de Áreas Marinhas Protegida da França. Uma de suas prioridades - e um de seus objetivos mais difíceis - é contar com a participação de comunidades pesqueiras do entorno das áreas protegidas para assegurar a efetiva proteção da biodiversidade.
Com um mar territorial de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, 4,3 vezes maior do que a área nacional terrestre, o país já tem 13 reservas marinhas de proteção integral e conseguiu unir pescadores a conservacionistas em algumas delas.
A soma das áreas marinhas protegidas no Equador chega a 4,9% do mar territorial, ou seja, metade das Metas de Aichi para 2020 (proteger 10% do mar territorial nacional). Apenas como termo de comparação, vale notar que o Brasil tem apenas 0,1% de seu mar territorial protegido de forma integral. E mesmo somando as reservas extrativistas federais e estaduais (que são de uso sustentável), o porcentual se limita a 1,57% do total.
Com a mesma intenção de mobilizar pescadores em torno das iniciativas de conservação, mas sem afastar as comunidades da esfera de tomada de decisões, diversas organizações mundiais também promoveram um debate, nesta quinta feira em Hyderabad. "Somos parte do problema ou da solução?" questionaram o Coletivo Internacional em Apoio aos Trabalhadores da Pesca (ICSF), o Fórum Mundial de Populações Pesqueiras (WFFP) e o Fórum Nacional de Trabalhadores da Pesca da Índia (NFF).
As discussões ainda estão longe de um consenso e serão retomadas em diversos eventos paralelos, previstos até o final da COP11.